Um fato pode ser percebido e interpretado de maneira diferente. Essa diferença de percepção colabora para a formação de novas ideias. Com a percepção de fatos e novas ideias. Há um avanço da ciência na sociedade.
Os historiadores podem ter várias interpretações ao estudarem uma sociedade, porém, usam os métodos científicos para validar os resultados obtidos.
Conforme o método empregado e das fontes disponíveis. O historiador pode direcionar a pesquisa para aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais. Dependendo do direcionamento da pesquisa, o historiador terá uma interpretação de uma sociedade completamente diferente do outro, pois, ser um usa o aspecto econômico, e outro usa o aspecto cultural. A forma de percepção dessa sociedade não será igual. Será diferente. Porque a abordagem usada tem aspectos distintos.
Lenda é uma narrativa histórica que mistura realidade e fantasia. Ou seja, para tornar uma história mais atrativa são usados trechos imaginados muitas vezes, idealizados. São recursos usados para chamar atenção. O propósito é tornar um fato grandioso.
Podemos citar como exemplo a guerra de Troia. Foram usados muitos adereços para embelezar a vitória dos gregos. É pouco provável o fato de um cavalo de madeira determinar a vitória dos gregos nessa guerra, pois, se analisamos os fatos: Como os gregos conseguiram construir um cavalo de madeira tão grande sem os troianos os perceberem? Como eles conseguiram manter parte do exército escondido dentro cavalo sem serem notados? A existência de guerra no mundo é um fato, mas a história de um cavalo de madeira determinar a vitória de alguém é pouco provável.
Cavalo de Troia
O Mito possui um significado parecido, mas com outra função: é uma narrativa que trata das origens de determinado grupo (dos seres humanos, dos animais, da natureza, dos astros, das estrelas, etc.) por meio de uma visão mágica, divina ou sobrenatural.
A origem de Roma, fundada pelos gêmeos, Rômulo e Remo. Tem uma origem fantasiosa, não há nenhum registro de uso de leite de loba para amamentar seres humanos. Da mesma forma que os gregos, os romanos embelezavam suas narrativas para criar uma origem grandiosa. Roma foi fundada por pessoas, mas é pouco provável que uma loba tenha amamentado crianças.
Loba amamentando os irmãos Rômulo e Remo.
Mitos e lendas, contam histórias do passado por meio de narrativas cheia de imaginação para explicar o surgimento das coisas. Apesar de apresentar fatos fantasiosos, possuem valor documental. São versões elaboradas pelas próprias sociedades sobre a origem do mundo, o surgimento de um reino, etc. Com esses documentos, podemos conhecer um pouco de sua cultura e a forma como eles pensavam.
A palavra “história”, tem muitos significados na Língua Portuguesa. História pode expressar um conjunto de eventos relacionados a um povo (a vinda de imigrantes para o Brasil; o folclore dos nativos americanos) um acontecimento vivido por alguém (quando alguém conta uma história de vida) ou mesmo uma mentira (pode ser uma obra de ficção ou não).
A História, com fins de estudo, escreve-se com letra maiúscula. A História, é uma área do conhecimento que estuda as transformações das sociedades ao longo do tempo. Ao produzir conhecimento histórico, são feitas investigações das realizações humanas, sociais, políticas e culturais. Algumas sofrem alterações ao longo do tempo. Outras praticamente se preservam.
A História estudada na escola é uma narrativa. Lembremos que uma narração pode ser uma história verídica ou imaginária. O que torna o estudo da história um componente científico, é o fato de a História ter comprovação histórica ou evidência do fato. Isso cria uma diferença de uma história contada somente de memória, ou uma obra de ficção.
Estudar História é uma maneira de entender melhor o mundo a nossa volta e a nós mesmos. Isso nos ajuda a compreender o presente e a tomar decisões mais adequadas para a nossa vida em sociedade. O historiador precisa de algumas ferramentas para facilitar o entendimento do fato histórico. São eles:
Imaginação: para explicar como funcionavam as sociedades do passado, os historiadores analisam, e, usando a imaginação, criam narrativas que buscam reconstruir o passado, dando sentido aos vestígios analisados.
Tempo: o tempo histórico de cada sociedade é diferente daquele marcado pelo relógio – o tempo cronológico.
Período: a periodização é uma maneira de organizar o tempo de acordo com acontecimentos importantes que servem de referência para entender algumas transformações históricas importantes.
Investigação: em sua interação com o mundo, os grupos humanos deixaram rastros (voluntária ou involuntariamente). São esses vestígios que possibilitam conhecer como as pessoas viviam em épocas passadas.
Documentos: os documentos históricos são vestígios do passado que os historiadores utilizam em suas pesquisas para entender as sociedades que as produziram.
O historiador ao imaginar uma sociedade passada tem que ter o cuidado com o anacronismo, ele consiste em analisar um acontecimento histórico com base em ideias e conceitos de outra época. Os costumes e valores de uma sociedade passada podem ser completamente diferente da nossa. O que para nós hoje em dia poderíamos considerar um absurdo, para aquele período e grupo populacional era completamente normal e aceito por aquela sociedade.
Muitas civilizações tinham a sua própria maneira de medir o tempo, com isso, fizeram calendários. Os egípcios, os romanos e os maias, confeccionaram seus calendários. O calendário mais usado atualmente é o gregoriano (2025) — foi criado pelo Papa Gregório XIII em 1582, para corrigir os erros do calendário juliano, ele é um calendário solar baseado nas estações do ano. Hoje em dia, outros calendários são usados também, como o muçulmano — O calendário muçulmano começa com a Hégira, a qual foi a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina em 622 d. C (1446), o judaico — O calendário judaico é baseado na criação do mundo, segundo a Bíblia Hebraica (5785).
Os períodos históricos sãos divididos em: Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. Essa divisão serve para se situamos no tempo. Perguntas como: onde aconteceu? E em qual época? Contribui para esclarecer o entendimento do fato histórico.
Os grupos humanos deixam rastros por onde passam, são eles: monumentos, fósseis, pinturas, utensílios como facas e machados. Eles são encontrados em sítios arqueológicos.
Um documento histórico é um registro de informação ou vestígio de um tempo passado preservado até o presente. Pode ser um documento escrito, como uma lei, um jornal, objeto, uma construção ou uma fotografia.
Esses documentos históricos ajudam a compreender e comprovar um fato histórico. A lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil em 1888, é um documento que comprova que Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão. O documento ajuda a não esquecer que a escravidão foi muito presente no Brasil Colônia (1530), até o final da monarquia. A Proclamação da República (1889) ocorreu um ano após a Lei Áurea (1888).
Clio, filha da deusa da Memória (Mnemósine) e de Zeus. Era associada ao conhecimento histórico. Para os gregos, a musa da história os inspirava a registrar os acontecimentos para passar adiante os fatos acontecidos, era uma forma de evitar o esquecimento causado pelo tempo. Cronos, o deus do tempo, era um opositor ao registro histórico (musa Clio). O tempo leva ao esquecimento e o desgaste das coisas. A musa, por outro lado, inspirava o uso de registros, preservando as narrativas históricas.
Clio, Pierre Mignard, século XVII.
Características da musa da História
Narração;
Registro dos fatos;
Tempo;
Espaço;
Argumentação;
Eloquência.
Através da narrativa, um registro dos acontecimentos era feito marcando o tempo, preservando os “testemunhos”, evitando o esquecimento. O espaço, é o lugar do fato acontecido. Essas características favorecem o surgimento do pensar histórico.
Com argumentação e eloquência, Clio estabelece uma ligação com a História.
Representação de Clio
Representação da musa Clio.
Clio é frequentemente representada segurando um livro de Tucídides (460 a.C.-400 a.C.), considerado o precursor da historiografia no ocidente.
Outro objeto que Clio porta em suas mãos é a trombeta. Este é o responsável pela anunciação, o que se pode entender como a fama do acontecimento, a fama da História.